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O direito das crianças

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Dr. Pablo Esper Di CesareO sucesso que a tradução do artigo a "Pedagogia do afecto" teve no Planeta Basket, e que segundo troca de informação com o Pablo Esper teve muitas leituras no Brasil, levou-nos a traduzir mais um excelente texto,

este sobre o direito das crianças desportistas. Dada a sua extensão vamos publicá-lo em três partes,mas desde já informamos que a pergunta final da terceira parte "Prof. quando é que jogamos" dava por si só um excelente artigo. Comece por compreender as diferenças entre treino e jogo vá fazendo as suas reflexões sobre o que vai lendo, sem se esquecer de ver os excelentes videos propostos.


Os direitos da criança desportista: Prof. quando é que jogamos?
Dr. Pablo Esper Di Cesare

Na continuação dos princípios pedagógicos expostos no meu artigo “Pedagogia do afecto” e a sua influência no processo de formação da criança desportista iremos agora centra-mo-nos em três aspectos que consideramos fundamentais no desenvolvimento da criança:

a)  As diferenças entre o jogo e o treino e a sua relação íntima no abandono desportivo infantil;
b) O processo de formação da criança desportista;
c) O direito da criança desportista jogar e a ausência desse compromisso na competição infantil.

Em primeiro lugar consideramos importante referir que não estamos apenas a falar de basquetebol, mas de todo o universo do desporto infantil mais especificamente, dos desportos colectivos que, mercê da grande quantidade de horas de exibição dedicadas nos dias de hoje aos desportos colectivos, constituem um centro de atracção para o imaginário da criança desportista..Quando falamos de pedagogia estamos a fazer referencia a todos os aspectos que intervem no proceso educativo. No nosso caso, sendo o desporto colectivo infantil  o objecto de nosso estudo, vou fazer referencia a todos os processos que vão favorecer a aquisição de atitudes, condutas, conhecimentos, habilidades e destrezas motrizes, que a prática deste desporto induz nas crianças.

Segundo  Cárdenas y Pintor (2001, Ruiz, García y Casimiro, 2001), "o ensino consiste em proporcionar ao aluno a ajuda necessária para que este, partindo do seus conhecimentos prévios das suas características pessoais e sociais, construa os seus próprios conhecimentos, o que implica uma participação activa que o obriga a desenvolver as suas capacidades mentais”.

Analisemos os três aspectos que assinalámos no primeiro parágrafo:

a) As diferencias entre o jogo e o treino e a sua relação íntima no abandono desportivo infantil.

O primeiro problema que aparece, em nosso entender, sobre o desporto infantil que se oferece à criança, é um problema de formação pedagógica dos monitores, treinadores, professores ou líderes desportivos que conduzem esta etapa fundamental no processo de formação motora da criança. Consideramos que é nesta etapa, compreendida entre os 6/7 aos 11/12 anos, onde se cometem os maiores erros pedagógicos (muitos deles expostos na “La pedagogia do afecto), contudo não são apenas erros dos formadores.

Em primeiro lugar, lamentavelmente, os clubes, escolas deportavas públicas e privadas, salvo honrosas e poucas excepções não estão a cargo dos melhores docentes que a criança possa ter, com conhecimentos amplos teóricos e práticos (o saber e o saber fazer). apenas por questões financeiras e orçamentais, como se fosse um tema menor que não requer alteração, apenas se toma como uma despesa. As escolas desportivas estão a cargo de ex – jogadores sem formação pedagógica, jovens docentes no melhor dos casos, ou alunos de educação física que ainda não completaram a sua formação académica. Aqui surge o nosso primeiro problema. Gente com escassa formação “forma” as nossas crianças desportistas replicando formas metodológicas sem nenhum suporte científico, para além da sua visão do desporto, baseada nas suas experiências como praticante.

Muitos dirigentes têm a ideia, que se o treinador foi um grande jogador, como é que não vai conseguir ensinar as crianças. Teríamos de lhes perguntar se quando fossem estar sujeitos a uma intervenção cirúrgica se preferiam ter um cirurgião com mais de 5000 horas de sala de operações ou um médico de clínica geral. Um dos erros que se cometem neste período é não estar claro qual é a idade do rendimento e do alto rendimento do desporto em questão, (duas coisas que se relacionam mas são diferentes). Esse conhecimento ajudaria a planear os diferentes períodos ou etapas sensíveis da aprendizagem motora, cada uma com objectivos, metodologias, matérias e princípios pedagógicos diferentes.

Ao não estar claro que a idade do primeiro rendimento, nos desportos como o futebol, o basquetebol, o hóquei em patins, o andebol, o voleibol, é por volta dos 15 anos e que, tendo em conta este primeiro escalão, é que devemos ir planeando o processo de aprendizagem da criança desportista. Nas primeiras etapas não podemos ter as sessões de treino, onde o jogo tem pouco lugar para a criança.

Quando observamos esta dicotomia entre treino e jogo, queremos deixar claro que no treino se pode e se deve jogar, no entanto a estrutura do treino é externa à criança mas os objectivos são os  propostos pelo treinador e estes rara vezes tem repercussões intelectuais na criança desportista já que a maioria das actividades se baseiam em estruturas repetitivas e na procura do “automatismo motor sem erros”, desconhecendo que o sistema nervoso é maleável e portanto aperfeiçoavel. Isto, sem contar que não são precisamente, as idades às quais que nos estamos referindo, como as que tem por objectivo alcançar o automatismo das técnicas desportivas.

Devemos centrar nosso foco neste aspecto pedagógico que, em nosso entender, é de importância fundamental na hora de organizar o processo de ensino e aprendizagem. Os desportos de equipa aos quais nos estamos a referir são, seguindo os princípios da praxeologia motriz do Dr. Pierre Parlebas, desportos colectivos de cooperação e oposição com invasão de campo e tiro ao alvo. Isto é  basquetebol, futebol, andebol e hóquei em patins. E temos que ter sempre presente na hora de planificar o desenvolvimento da criança desportista: são desportos de resolução de problemas tácticos (que não significa sistemas tácticos), por meio de gestos técnicos (não necessariamente fundamentos técnicos automatizados) e com uma base física.

Isto perspectiva quais deveriam ser as prioridades do desenvolvimento da criança desportista:

  1. Desenvolvimento do pensamento táctico para obtermos um jogador inteligente;
  2. Desenvolvimento de padrões motores que sirvam de base aos fundamentos técnicos específicos e,
  3. Desenvolvimento das capacidades físicas e motrizes que lhe sirvam jogar com maior nível de prestação durante a maior quantidade de tempo. Esperamos que isto sirva para desmitificar em parte as largas sessões de treino físico das crianças dos 6/7 aos 11/12 anos, quase sem contacto com a bola, nem a utilização de situações de jogo reduzido ou com um excesso de situações de 1 x 0 na procura de automatismos descontextualizado do jogo.

Dentro desta estrutura de treino, a criança quase não tem apelos cognitivos na realização dos exercícios, apenas se converte num executor de técnicas desportivas. Por isso realçamos a diferença entre treinar e jogar. O jogo, ainda que seja a partir de uma proposta externa do docente, como veremos na serie de vídeos onde tento ir levando a desenvolvimento do pensamento táctico e resolução de problemas motores desde o 1 x 1 até ao 5 x 5, neste caso o basquetebol, permite à criança a troca cambio das regras propostas, com novas regras ou, inclusivamente, modificar a estrutura do jogo. E isto, porque o objectivo do docente no é conseguir, neste período evolutivo, grandes executores de gestos técnicos, mas, crianças inteligentes que resolvam os problemas do ponto de vista motor.

Estas proposta pode ser vistas nestes 4 vídeos que são parte da mesma apresentação participada:

Dim lights

Dim lights

Dim lights

Dim lights

Um dos maiores problemas que produz esta falta de protagonismo na sua própria educação da criança desportista, onde tudo lhe é imposto pelo treinador, é o temor dos treinos demasiado sérios, a falta de espaço para o jogo e para a imaginação, são algumas das razões que levam a criança ao abandono da actividades desportiva. E não estamos em condições que as crianças abandonem a prática desportiva (não importa o seu nível de rendimento, mas os princípios educativos que interioriza por meio da sua prática), No primeiro contacto com a actividade desportiva é fundamental termos treinadores-formadores.

 

 


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