Estou a caminho de duas décadas de colaboração no Planeta Basket. Quando olho para trás verifico que para além do minibásquete, outro tema que tem sido alvo das minhas reflexões é a geografia do basquetebol.
Quem não passa por essa situação tem dificuldade em compreender como é difícil desenvolver a modalidade longe dos grandes centros. Logo à partida surgem duas enormes dificuldades.
Os recursos humanos, principalmente em termos de treinadores, um treinador de fora implica à partida os custos de alojamento e as despesas com as distâncias, seja para efetuar jogos, seja por exemplo, quando surge um jovem com mais aptidões para a modalidade, participar na preparação das seleções regionais, que irão participar nas Festas do Basquetebol Juvenil em Albufeira ou na Festa do Minibásquete Paços de Ferreira.
Contava-me o André Cruz treinador e coordenador do BSA: “Será que as pessoas têm consciência que um jovem do BSA, que vai semanalmente aos treinos das selecções regionais, faz mais quilómetros num dia que os jovens que vivem na cidade do Barreiro fazem durante a época inteira e que quem assume os custos dessas deslocações são os pais partilhados com o clube.”
Esta situação levanta no mínimo duas questões: A primeira, e quando os pais não podem financeiramente suportar esses custos? Que soluções…
A segunda, todos sabemos como é um momento delicado, o momento em que um jovem fica a saber se fica ou não na escolha final. Como se sentirão os pais depois de um grande esforço financeiro saber no último momento, que o seu filho/filha ficou de fora da seleção.
São questões delicadas e que não são fáceis de resolver, mas ignorar estas questões, também me parece não ser uma boa solução.