Conheci o Prof. José Francisco Costa ("Zé Francisco "), no INEF, no ano letivo de 1959/60, como caloiro e ele já de saída... Os primeiros contatos deram-se, naturalmente,
através do basquetebol, eu como praticante e ele dando os primeiros passos no ensino/treino da modalidade com especial ênfase no trabalho que começou a realizar na CUF do Barreiro, onde residia.
Entretanto, o cumprimento do meu serviço militar e posterior ocupação profissional em Angola, interromperam esse "acompanhamento" que viria a ser retomado em 1972 e prolongado até 1983, através de mensagens natalícias acompanhadas de pequenas reflexões sobre a evolução da modalidade, em especial após o "25 de Abril", com sonhos que se abriam para cumprir.
Nesse mesmo ano (1983) foi com enorme alegria que soube que o Zé Francisco havia aceite o convite para se juntar a um grupo de treinadores (Teotónio Lima, Jorge Araújo, Júlio Silva, António Guimarães, Carlos Teigas, António Gonçalves, eu próprio e mais três colegas de que agora não recordo dos nomes, haviam decidido assistir em Limoges e Nantes, ao desenrolar do 23.º Campeonato Europeu de Basquetebol e ao Colóquio Nacional para treinadores de basquetebol organizado pela Associação Francófona de Treinadores, que viria a ter como preletor principal Lou Carnesecca, então treinador principal da Universidade da Universidade de St. John (Nova York). Esses dias de permanente convívio permitiram um conhecimento mútuo mais aprofundado sobre os nossos pensamentos sobre a modalidade.
Desafiado a partilhar comigo a tarefa da elaboração de um relatório despretensioso sobre os dois acontecimentos, na sequência do que pessoalmente vínhamos elaborando após os Europeus de 1973 (Barcelona); 1975 (Belgrado), em colaboração com Júlio Silva, 1977 (Liége) e 1979 (Turim), o Zé Francisco prontamente aceitou o desafio, desempenhando a tarefa com enorme entusiasmo e empenho, vindo a ser responsável por vários conteúdos do mesmo e consequentemente por uma maior riqueza do documento, que tal como os anteriores, viria a ser entregue na Federação Portuguesa de Basquetebol, na ANTB e posteriormente distribuída pelas diferentes Associações Distritais da modalidade.

A partir desse momento passámos a manter um regular contacto, via epistolar e telefônica, o que me permitiu ir apercebendo do que ia "fazendo" na modalidade, as suas preocupações prioritárias, o seu pensamento sobre o ensino/treino da modalidade. Delas retive:
- O relevante trabalho desenvolvido no CDUP;
- A elaboração de vários documentos para cursos de formação de monitores e treinadores da modalidade;
- A sua colaboração em diferentes iniciativas da Associação de Basquetebol do Porto.
Para além deste trabalho no "terreno" fui progressivamente tomando conhecimento de alguns dos seus anseios e preocupações no que respeita a várias vertentes da modalidade, entre as quais:
- Necessidade de valorizar a formação de todos os agentes da modalidade (treinadores, dirigentes, árbitros...);
- Atribuição de uma maior diversificação da intervenção das Associações Distritais;
- Melhorar e alargar o âmbito de intervenção dos Diretores técnicos regionais.
Tudo o que respeitava aos processos pedagógicos do ensino/treino da modalidade mereciam dele a melhor atenção. Testemunhos orais recolhidos de entre alguns ex-atletas seus a viver ou estudar em Lisboa, permitiram, que me apercebesse que ao longo da sua intervenção profissional na modalidade, ele considerava que o papel do treinador não deveria ser apenas (também, mas não só...), o de transmissor de informação técnico-tática mas, de igual modo, alguém que estimulasse autonomia e envolvimento dos "seus" jogadores, despoletando uma motivação intrínseca que os levasse a continuarem, de uma ou outra forma ligados à modalidade, depois da sua atividade como praticantes.
Desconheço os títulos nacionais ou regionais obtidos pelas equipas treinadas pelo Zé Francisco. Possivelmente não terão sido muitos.
Mas de algo estou certo. Todos os que com ele conviveram ou trabalharam no âmbito do basquetebol, em diferentes contextos (alunos, jogadores de diferentes escalões, árbitros, dirigentes...), reconhecerão que pelo seu empenho, competência e dedicação, o Zé Francisco dignificou a modalidade, tornando-se numa figura de relevo no nosso basquetebol.








